Uma diva pop brasileira


"Eu não sei gosto de ser chamada assim. O que é uma diva? Eu sempre imagino uma cantora que usa vestidos ridículos, tem um vozeirão irritante e canta as mesmas músicas chatas o tempo todo. Eu não sou isso."



Desde a abolição da escravatura, uma voz permanecia calada na escuridão. A voz de uma classe que se formou aos poucos e que hoje é uma maioria na nossa sociedade. Essa voz ganhou forma, timbre e poder através das cordas vocais de uma mulher baixinha, obscura e levemente perniciosa, com um nome tão simples quanto uma soma de números naturais: Marli. Esta garota surgiu em Ipirá, microscópica cidade da Bahia, em 12 de outubro de 1983. Seguiu-se uma vida rodeada de mistérios e especulações durante os primeiros 17 anos da menina. Ela perdeu a virgindade com um lenhador aos 9, largou a escola aos 14, casou-se aos 15, fugiu aos 17. Foi quando ela chegou em Feira de Santana. Não se sabe ao certo o que ela fez no primeiro ano que passou na cidade. Detratores afirmam com toda a certeza que a prostituição foi o primeiro passo na nova cidade. Ela não nega, mas também não confirma. Mas um ano depois tudo mudou na vida de Marli. Ela arrumou emprego como empregada doméstica numa casa de família. As histórias sobre lobisomens de chupa-cabras eram envoltas em falsa inocência, eram divertidas, porém não convenciam ninguém. Foi então que o filho dos patrões enxergou uma luz própria na nova hóspede da casa. Marli era a personificação dos sentimentos mais negros, lascivos e (por que não?) inocentes da raça humana. Ele então a convidou para compor músicas. Ela gostou da idéia. Seria uma forma de verbalizar o que ficou escondido todos aqueles anos. O trabalho começou divertido. As primeiras músicas ficaram verdadeiras porcarias, e hoje são consideradas raridades. Depois de algum tempo trabalhando, Marli resolveu abandonar o emprego. Mas não demorou nada mais que alguns meses para retornar. No primeiro semestre de 2002, ela gravou duas músicas: “Sagrada” e “Ladra de Namorados”. A coisa tomou proporções gigantescas quando estas canções foram disponibilizadas na Internet. Fizeram tanto sucesso que são consideradas dois dos grandes clássicos da carreira de Marli. Com tamanho êxito, ela resolveu lançar seu primeiro álbum, “Rainha Das Trevas”. Com músicas fortes e desbocadas, o disco ganhou a atenção do público e inaugurou um novo estilo musical: a Música Popular de Cozinha. O álbum ainda emplacou outros hits como “História de Ninar” e “Fantasia/Sonho Sem Fim”, mas foi com “Purpurina”, single especial lançado em fevereiro de 2003, que Marli ganhou de vez o público. A música, uma balada autobiográfica, dividiu os fãs entre os que amaram e odiaram a nova empreitada. Isso fez com que a música se tornasse outro clássico, e é uma das mais aclamadas até hoje. Sem perder tempo, Marli lançou o segundo álbum, “Virgem Brasileira”. O primeiro single, a faixa-título, causou polêmica por causa da letra, que tirava a máscara da sociedade conservadora em que vivemos. Mas foi com o single de “Armando Um Barraco” que Marli tornou-se estrela de primeira grandeza. Esta celebração ao amor à primeira vista inaugurou uma das paradas mais importantes do mundo, o Quadrodecontas, que fez com que surgissem outros artistas pela Internet, que seguiam o mesmo estilo de Marli. Ela ainda teve tempo de emplacar outro sucesso, “Vai Pro Inferno”, quando se sentiu copiada e resolveu radicalizar de vez com um trabalho que viria a ser o mais polêmico de sua carreira. Quando o single “Eu Gosto de Louvar”, primeiro do futuro álbum homônimo, foi lançado, o mundo veio ao chão. Em sua primeira investida no quesito ‘religião’, gerou-se uma controvérsia tão grande que o próprio Papa resolveu intervir chamando a cantora de herege. A Igreja protestou contra o lançamento da música, que comparava o prazer sexual ao fervor religioso, mas a estrela não se fez de rogada. Como resultado, a música estourou na parada de sucesso, se tornando primeiro lugar rapidamente. Em seguida, foi lançado o álbum, o mais pessoal da cantora até então. Foi quando Marli descobriu que estava grávida de seu primeiro filho. A polêmica continuou com os singles de “Abra Seus Olhos” e “Garota Crente”, e mais tarde com “Cemitério”, inusitado dueto com o astro ALZ, numa balada romântica com ares necrófilos. Em outubro ela deu a luz a André Marcos e se tornou a mãe do ano. Nada menos que um mês depois, mais do que em forma, surgiu em poses sensuais na revista Rolling Stone, acompanhada por uma controversa matéria. O ano de 2003 terminou com chave de ouro, quando Marli se juntou a Gloryanna Lindomar no comercial das camisinhas Picarex e algumas semanas depois lançou o EP “Remixada & Lubrificada”, compilação de alguns remixes e faixas raras. Então Marli decidiu dar um tempo na carreira para se dedicar à maternidade. Mas a pausa não foi longa, e em março de 2004 ela lançou o single “Uma Garota do Cacete”, primeira música de trabalho de um ambicioso projeto que incluía uma minissérie de seis capítulos e sua trilha sonora. A minissérie causou polêmica devido ao conteúdo forte e ao seu enigmático final, enquanto os singles da trilha sonora estouravam no Quadrodecontas. “Pirulito” tornou-se o single mais bem-sucedido da carreira de Marli, e “O Olho do Tarado” conquistou mais ainda o público. Marli sentiu que estava fechando um ciclo da sua vida, e decidiu fazer isso brilhantemente com o lançamento de sua primeira coletânea de grandes sucessos, “A Árvore Ginecológica”, onde ela apresenta suas músicas mais significativas, tanto os grandes hits quanto as que melhor expressam acontecimentos de sua vida pessoal. E parece que ela não para por aqui.

Texto do encarte da coletânea A Árvore Ginecológica e site oficial da Marli
Acho que há controversias nesta biografia .


Além de bem humoradas , as letras da Marli também são romanticas , assista o clipe.





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