As virtuosas minhocas


Esta semana lendo uma notícia sobre minhocas em um blog , me lembrei de um trabalho de aula sobre estas intrigantes criaturas .Por isto vou aproveitar para postar este interessante artigo .



Leia e confira quanta virtude !






Os pesquisadores estão descobrindo que elas podem servir como remédio e até mesmo como alimento.
Feias, sujas de terra e, para piorar, parentes das lombrigas, elas são vermes parasitas da família Lumbricus. E são repugnantes para a maioria das pessoas - exceto os pescadores, que sabem como os peixes as apreciam. Ou para os horticultores, que conhecem o valor da terra por ela habitada. Agora, também os cientistas estão descobrindo novas virtudes nas minhocas. Elas começam a ser vistas como solução ecológica para tratamento do lixo, matéria-prima para medicamentos de diversas espécies e até como fonte de proteína para a alimentação animal - e humana.
Em defesa das minhocas é bom que se diga, antes de mais nada, que elas não são nem um pouco prejudiciais à saúde humana, apesar do seu aspecto repugnante e do parentesco com vermes parasitas. Pelo contrário: elas produzem substâncias com propriedades medicinais, uma qualidade que já é conhecida há séculos, mas somente agora está sendo aproveitada.
Registros históricos revelam que na Babilônia, no reinado de Xerxes, 485 a.C., o mago Osthanes receitava minhocas no tratamento de dores na coluna. A medicina tradicional chinesa também as usa como remédio.
E os romanos as sugeriam como alimento. As minhocas são seres tão especiais que conquistaram, no século passado, as atenções do naturalista inglês Charles Darwin, pai da Teoria da Evolução, que dedicou mais de 40 anos de sua vida ao estudo desses silenciosos seres subterrâneos.
E, até hoje, continuam seduzindo os pesquisadores e mudando a trajetória profissional de gente como Christa Ute Knäpper, uma das maiores especialistas brasileiras no assunto. Professora de biologia da Universidade do Vale dos Sinos, Unisinos, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, ela abandonou a carreira de enfermagem, em 1964, para estudar biologia.
E, desde 1970, dedica-se a pesquisas de vermicompostagem, ou seja, utilização de minhocas na recomposição dos nutrientes do solo. Virou, ainda, uma colecionadora, dona de um plantel de nada menos que 7 mil exemplares de diferentes espécies, conservados em vidros com anti-séptico.
Para Christa, é uma beleza de coleção. E o sempre crescente batalhão de especialistas em minhocultura faz coro com ela.




Sagradas lavradoras
O papel das minhocas como arados e adubos naturais
Quem vive da agricultura, sabe: terra que tem minhoca é terra boa.
Tal sabedoria, construída no duro trabalho diário no campo, chega agora aos centros de pesquisa. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, após análises realizadas no Sudão, África, concluiu que a grande fertilidade do solo do Vale do Nilo, no Egito, não se deve apenas à matéria orgânica e aos minerais depositados pelas cheias do rio, mas principalmente ao trabalho das minhocas, que transformam essas substâncias em adubo.
Disso, a rainha Cleópatra já sabia. Ela considerava as minhocas seres tão sagrados quanto os gatos que venerava. Tanto que baixou um decreto real declarando-os animais intocáveis e impedindo sua remoção do solo.




O lixo que vira adubo
É o processo de digestão das minhocas que viabiliza a chamada vermicompostagem - a transformação da matéria orgânica em húmus, o adubo orgânico que é a mistura de suas fezes com a terra.
Ao engolirem matéria orgânica, elas necessitam eliminar o excesso de cálcio presente nela, que lhes seria mortal. Essa eliminação se dá através de glândulas esofágicas, chamadas calcíferas, que transformam o cálcio em calcita, produto não assimilável pelo intestino desses animais e de fundamental importância para a fertilidade do solo. E não é só.
Comparado com o solo do qual as minhocas se alimentam, o húmus tem cinco vezes mais nitratos, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e 11 vezes mais potássio.
Para a bióloga Christa Knäpper, só o fato de as minhocas abrirem galerias na terra já ajuda na oxigenação e conseqüente melhoria da qualidade do solo. "Na vermicompostagem, as ações químicas e orgânicas se completam, equilibrando os nutrientes na terra", explica ela.
Essa era também a opinião de Charles Darwin, autor do primeiro tratado científico sobre minhocas que se conhece, o livro A Formação da Camada Vegetal Através da Ação das Minhocas, no qual ele registra: "O arado é uma das invenções mais antigas e preciosas do homem, mas bem antes que o homem existisse, a terra já era regularmente arada pelas minhocas. "




Uma exótica iguaria
As minhocas são ricas em fontes de proteína



As minhocas já fazem parte do cardápio exótico de algumas tribos indígenas. Para os chineses, são um prato refinado. Que o diga o jogador de futebol Murilo, do Sport Club Internacional, de Porto Alegre, RS, que trabalhou quatro meses no clube Xandu, na China, e ficou horrorizado quando lhe serviram uma sopa de minhocas. "Eu olhei aquilo e meu estômago enrolou de vez", lembra. O garçom ainda tentou convencê-lo de que se tratava de um bom alimento, dizendo "good, good". Mas Murilo fez que não ouviu.
Ele ficaria surpreso ao saber que, no Brasil, já existem empresas pesquisando a produção de uma farinha de minhoca para ser utilizada, por enquanto, como ração animal. Mas já se pensa na possibilidade de incluí-la na dieta humana.
Segundo a farmacêutica Lucette Morais, que deu consultoria à empresa Minhoca e Cia, empresa de Brasília produtora de húmus, a farinha de minhoca chega a ter 78% de proteína. "Ela é a melhor fonte protéica de origem animal", garante. "Além disso, tem vitaminas e sais minerais." Lucette considera, no entanto, que deve haver um rígido controle de qualidade na produção da farinha, seja para consumo humano ou animal, com um cuidado que começa na seleção do local onde serão criadas, que não pode ter elementos contaminantes.




Na merenda escolar
A Bioworm Proteínas Sintetizadas é outra empresa que está produzindo farinha de minhoca, no município de Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre. "A farinha é produzida a partir de procedimentos de laboratório, por meio dos quais melhoramos sensivelmente o seu aroma, paladar e aparência", garante o diretor da empresa, Edmundo Komaike.
Segundo ele, uma das dificuldades desta alternativa de complementação alimentar está ainda no custo de produção, pois 10 quilos de minhoca rendem apenas um quilo de farinha, num caro processo laboratorial. Por isso, o mercado brasileiro ainda está restrito à alimentação animal.
Mas um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, RS, integrado pela engenheira agrônoma Ecila Giracca, a bióloga Maria Medianeira Wiethan e o biólogo Sérgio Carlosso, vai além.
Eles acham que este tipo de complementação alimentar pode ser usada na merenda escolar de crianças carentes. "A maior resistência à esta alternativa é o preconceito", garantem os pesquisadores.
De fato, experimentar um prato de minhocas não é tarefa fácil para um cidadão ocidental, mesmo que seja um cientista. A bióloga Christa Knäpper enfrentou o desafio e aprovou. "Ela tem um sabor de carne doce, forte, que lembra ligeiramente o do chocolate", testemunha.
Contudo, ela acha que o paladar ocidental terá maior facilidade em aceitar a farinha de minhoca se ela for misturada com outras farinhas, como a de trigo. Um teste com esta mistura já foi feito em duas exposições agropecuárias em Santa Maria, por bolsistas que trabalham com a engenheira agrônoma Ecila Giracca.
Uma colher de sopa de farinha de minhoca era adicionada às receitas com farinha de trigo em bolos, biscoitos e pastéis e oferecida aos visitantes. Mas nem todo mundo aceitou a oferta .
Um organismo com cinco corações e dois sexos Quem fria e displicentemente corta uma minhoca - para colocar no anzol ou por puro prazer de moleque - nem imagina que aquela massa molenga compõe um organismo sofisticado, com cérebro, sistema circulatório e aparelhos genitais.
É bem verdade que o cérebro de minhoca é um tanto rudimentar, justificando a má fama que tem. Já o sistema circulatório é bem sofisticado: é fechado, ou seja, o sangue circula em tubos especiais, como artérias, veias e capilares, e apresenta até cinco pares de corações, que são, na realidade, vasos contráteis.
Em compensação, a minhoca não tem pulmões - que, aliás,não lhe fazem nenhuma falta: sua respiração é cutânea, ou seja, ela respira através da pele, que permanece sempre úmida, uma vez que retira o oxigênio do ar do interior do solo. É também através de células da pele que a luz é percebida.
Mesmo não tendo olhos e ouvidos, ela possui grande sensibilidade aos estímulos externos, captando as mais leves vibrações, como movimentos e passos de pequenos animais, como suas predadoras mais temidas, as aves.
Dentre as 3 mil espécies conhecidas, há desde as microscópicas até aquelas que chegam a medir mais de 3 metros de comprimento.
O corpo é formado por anéis ou segmentos, cujo número varia conforme a espécie. Esses anéis têm a peculiaridade de se regenerar, ou seja, se ela tiver seu corpo seccionado, separando a parte dianteira da cauda, onde está o ânus, a metade da frente continuará viva e criará uma nova cauda.
Outra característica curiosa desses animais é que eles são hermafroditas, ou seja, têm ambos os órgãos genitais. Assim, qualquer minhoca pode gerar filhotes.
Mas, como não se autofecunda, necessita de uma companheira para o cruzamento. O acasalamento acontece numa cópula recíproca, em que o clitelo (o órgão reprodutor) de uma fica frente ao receptáculo seminal da outra, havendo a penetração do esperma de uma na outra e vice-versa. Assim, as duas minhocas incubam e saem incubadas.
A carne de minhoca tem um sabor adocicado que lembra o do chocolate, garante a pesquisadora



Antibiótico natural
Matéria-prima para produção de remédios
As minhocas vivem no meio do lixo, têm uma pele fininha, sem qualquer proteção aparente e, mesmo assim, sobrevivem livres de infecções. Qual é o segredo dessa saúde de ferro? "É que ela possui antibióticos naturais dentro dela", simplifica Lucette Magalhães Morais, da Universidade Luterana. Por isso, as minhocas também estão na mira dos pesquisadores de medicamentos e cosméticos.
Uma das linhas de pesquisa detém-se sobre o colágeno que compõe o líquido celomático da minhoca, aquela gosma que a cobre.
Ele está sendo pesquisado na Alemanha para utilização em pomadas cicatrizantes e cosméticas. Segundo o biólogo Gilberto Righi, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, esse líquido expelido pelos poros dorsais da minhoca tem ação bactericida. "Ele serve para que a minhoca se proteja do material contaminado e também para manter sua pele úmida." E ele conta que, no Brasil, agricultores japoneses da região de Registro, São Paulo, costumam tomar chá de minhoca para tratar dor de garganta.
Na Colômbia, pesquisa-se a produção de antibióticos. As substâncias riboflasina e lumbofibroproteína, encontradas no organismo deste animal, apresentam propriedades desinfetantes.
E a substância lumbrofoebrina, produzida pelo seu tubo digestivo, exala um odor com propriedade anti-hipertensiva. Pesquisas genéticas com minhocas também estão levando os cientistas a desvendar caminhos para a cura da diabetes e para retardar o processo de envelhecimento do ser humano.




Experiências genéticas
Como o homem, a espécie Caenorhadbitis elegans necessita de insulina para regular seu metabolismo e as taxas de açúcar no sangue. Cientistas do Hospital de Massachusetts, em Boston, Estados Unidos, descobriram que a introdução de uma mutação genética nesta minhoca permite que ela sobreviva sem insulina.
Especula-se que os genes humanos tenham a capacidade de sofrer uma mutação igual à que ocorre com esta espécie de minhoca. Outra espécie, com apenas um milímetro de comprimento, a nematode, teve sua expectativa de vida ampliada numa experiência do Laboratório de Engenharia Genética da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá. Normalmente, ela vive apenas nove dias, mas a alteração genética expandiu seu tempo de vida em mais 43 dias.
Uma ampliação semelhante no ser humano ampliaria proporcionalmente sua expectativa de vida para 400 anos de idade.



Faxineiras do lixo



Elas podem purificar o lixo contaminado com metais pesados
A reciclagem de lixo, seja ele doméstico, industrial ou urbano, sempre encontrou um obstáculo: a contaminação por metais pesados como cádmio, chumbo, níquel e cromo, o que inviabiliza, por exemplo, sua utilização como adubo.
As minhocas podem resolver de vez esse problema por meio da vermicompostagem, a decomposição biológica desse material. A Universidade Luterana do Brasil, Ulbra, e a Universidade do Vale dos Sinos, Unisinos, ambas do Rio Grande do Sul, estão desenvolvendo pesquisas nesse sentido.
No projeto da Ulbra, coordenado pela bióloga Nádia Schröder Pfeifer e pela farmacêutica Lucette Magalhães Morais, resíduos tóxicos de indústrias químicas são misturados a esterco e dados como alimento para minhocas da espécie Eisenia foetida , ou Vermelha da Califórnia.
Já a pesquisa da Unisinos, sob a coordenação da bióloga Christa Knäpper, trata aparas de couro das indústrias de calçado da região. As conclusões preliminares indicam que uma boa parcela desses metais tóxicos é absorvida pelo organismo do animal, enquanto os metais mais pesados são excretados no húmus. "Assim, esperamos ser possível até incinerar a minhoca e recuperar o metal pesado.
E se a concentração de metal restante no húmus não for muito grande, ele poderá, então, ser usado como adubo", afirma Lucette.



O elo perdido



A intrigante minhoca de antenas
Este curioso animal, que parece uma minhoquinha com antenas e pés dotados de unhas, chama-se Peripatus acacioi. Segundo os cientistas, trata-se, na realidade, de uma espécie de elo perdido entre os anelídeos - minhocas e sanguessugas - e os artrópodos - insetos, aranhas e crustáceos. Assim, tem particularidades dos dois grupos de animais: as antenas e unhas dos artrópodos e o corpo, formado por anéis, próprio dos anelídeos.
Aveludado, sua coloração típica é púrpura-escuro nas costas, com a parte ventral mais clara, em tom lilás-avermelhado. Por trás dessa aparência simpática, no entanto, esconde-se um pequeno predador. Para se alimentar de insetos e aranhas, ele envolve a presa com um jato de muco de endurecimento rápido.
Descoberto em 1954, até hoje o Peripatus intriga os cientistas. Para definir o sexo do animal, por exemplo, eles se vêem obrigados a contar, um a um, seus pés, chamados de lobópodos. Isso mesmo: os machos possuem de 24 a 26 pares de lobópodos, e as fêmeas têm entre 26 e 28 pares. E se ele tiver exatamente 26 pares, é macho ou fêmea? Nesse caso, para saber ao certo, só dissecando o bichinho.

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